Homem transgênero deixa de tomar hormônios para ter 1º filho biológico com parceiro

Por João Vieira
13/07/2017

Casal celebrou chegada de 1º filho biológico

Facebook/Reprodução Casal celebrou chegada de 1º filho biológico

Depois de sete anos de união, Trystan Reese e seu parceiro, Biff Chaplow, estão esperando o nascimento do primeiro filho biológico para este mês em Portland, nos Estados Unidos.

O detalhe que chamou atenção é o fato de Trystan ser um homem transgênero.

“Eu tive sorte. Apesar da queimação no estômago, tudo está bem”, afirmou ele ao jornal Paris Match. Aos 34 anos, ele está esperando um menino.

Para conseguir preparar seu corpo, Trystan parou de tomar testosterona por alguns meses. Depois de cinco, descobriu que estava grávido. Ele contou que a transição começou ainda no ensino médio, quando decidiu mudar de nome. “Eu dizia que eu era um homossexual em um corpo de mulher. Eu comecei a tomar testosterona e meu corpo começou a mudar. Emocionalmente foi muito difícil, mas em seis meses eu era um homem”, afirmou.

Reese disse, ainda, que nunca quis ter um corpo igual ao do parceiro e, por isso, não fez a cirurgia de redesignação do órgão sexual. “Eu nunca quis que o meu corpo não fosse um corpo de transexual. Eu estou bem sendo um homem que tem útero, que tem a capacidade de ter um bebê”, disse.

O casal já tem dois filhos, um menino e uma menina, adotados em 2011. Para Trystan, a aceitação da condição de seu corpo e o respeito pelo sexo feminino o ajudou a encarar o processo de gravidez. “Eu sou feminista. Eu penso que mulheres são impressionantes. Eu não acho ruim ser uma mulher. Só não aconteceu de ser [por fora] como eu era por dentro. Por isso, é ok entrar nesse sagrado mundo da maternidade. E isso não me faz sentir menos homem. Eu só sou um homem capaz de ter um bebê e eu decidi fazer isso”, relatou.

O maior problema para Trystan e Biff não foi a relação com os médicos, nem com as pessoas do convívio social. Mas sim com o público na internet. “Por trás do anonimato, as pessoas se sentem empoderadas para dizer o que deveria acontecer conosco, com os nossos filhos, com a nossa família. A razão pela qual você decide ter um filho é querer ver mais amor no mundo e lembrando quão difícil será. É duro”, lamentou.

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