Alvo de racismo, Aranha é vaiado por torcida do Grêmio: “ódio na cara das pessoas”

Por João Vieira
17/07/2017

Aranha foi vaiado em Porto Alegre

TV Globo/Reprodução Aranha foi vaiado em Porto Alegre

O goleiro Aranha foi vítima de um emblemático caso de racismo em 2014, quando ainda defendia o Santos, durante uma partida contra o Grêmio em Porto Alegre.

Na ocasião, grande parte da torcida gremista fazia sons de macaco quando o jogador pegava na bola. Uma torcedora, de nome Patrícia Moreira, foi flagrada pelas câmeras da ESPN ofendendo o arqueiro por sua cor.

Neste domingo (16), Aranha voltou ao Rio Grande do Sul, na mesma Arena do Grêmio, e não chegou a ouvir os mesmos xingamentos, mas foi vaiado de forma diferenciada pelos tricolores toda vez que estava com a bola em sua posse.

Pressionado por um repórter da Globo gaúcha, ele desabafou. “Eles não esquecem aquele episódio. Eles são assim aqui. Principalmente na região do Sul do país, é sempre assim. Quando volto aqui, evito ao máximo olhar para a arquibancada, porque cada vez que olho para arquibancada, vejo ódio na cara das pessoas. Eles têm certeza que eu estou errado. É triste ver o conceito de vida que eles têm aqui”, reclamou.

Admitindo que há exceções, ele seguiu as críticas: “lógico que sempre tem as exceções, mas é triste o conceito que eles têm aqui. A mudança vem das crianças, mas se o pai passa isso para o filho, quando vai melhorar? Nunca! Venho aqui preocupado em jogar, não tenho nada contra o Grêmio. Mas a falta de educação é geral. Às vezes reclamamos do político, mas sempre dá o jeitinho brasileiro, que era engraçado antes. Esse jeitinho está tomando conta do país.”

Houve, porém, um homem que levou, junto ao seu filho, um cartaz pedindo desculpas a Aranha e dizendo que eles representavam a “verdadeira torcida do Grêmio.”

Homem levou cartaz para Aranha

Twitter/Reprodução Homem levou cartaz para Aranha

Vale lembrar, porém, que racismo é crime.

A injúria racial está prevista no artigo 140, parágrafo 3º, do Código Penal, que estabelece a pena de reclusão de um a três anos e multa, além da pena correspondente à violência, para quem cometê-la. De acordo com o dispositivo, injuriar seria ofender a dignidade ou o decoro utilizando elementos de raça, cor, etnia, religião, origem ou condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência. Ninguém foi detido pelo caso de 2014.

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