Acidente da TAM: “não tem um dia que não chore de saudade da minha filha”

Por João Vieira
17/07/2017

Acidente da TAM deixou 199 mortos

Reprodução Acidente da TAM deixou 199 mortos

O acidente aéreo com o voo 3054, da TAM, que, em 2007, às 18h48 do dia 17 de julho, pousou em Congonhas, São Paulo, vindo de Porto Alegre, e não conseguiu parar, atravessando a avenida Washington Luís e batendo no prédio da própria companhia a 145 km/h, deixou marcas na aviação brasileira como a maior tragédia da sua história.

Mas nada supera a cicatriz impressa no coração daqueles que perderam seus entes queridos.

Um deles é o empresário Roberto Silva, de 61 anos, pai da comissária Madalena Silva, 20, uma das vítimas. Em entrevista à revista Exame, ele contou que, depois do ocorrido, mudou-se com a esposa, Therezinha, de 56 anos, de Porto Alegre para São Paulo, em um apartamento a poucos metros do aeroporto.

Todas as terças-feiras, dia da semana em que aconteceu o acidente, às 18h48, ele vai até a área de desembarque de Congonhas. Todas. Há 10 anos.

“Ali era o trabalho da nossa filha. Eu vou toda terça-feira, quando estou em São Paulo, ao aeroporto, principalmente na área de desembarque, e fico imaginando a minha filha descendo ali. Daria tudo que a gente tem por um milagre, para ter a Madalena de volta”, disse ele.

Therezinha se tornou voluntária da cruz vermelha. Os dois não dormem direito desde aquele dia. “Até hoje, passados 10 anos, não tem um dia em que eu não chore de saudade da minha filha”, afirmou Roberto. “Tem dias que sangra muito. E tem dias que conseguimos amenizar. Mas é complicado. Isso vai ser para o resto da vida, a imagem dela. Eu queria reconhecer [o corpo dela, que demorou 26 dias para ser identificado], mas não deixaram. Então, a imagem que ficou é dela sorridente”, contou.

10 meses antes da tragédia, Madalena estreava como comissária de bordo. Ela era uma entre os 25 tripulantes e funcionários da TAM que estavam no voo, embora não estivesse trabalhando.

“Ficamos doentes neste período e evitamos, ao máximo, sermos dependentes de remédios. Mas até hoje, a Therezinha, tem uma caixa de remédios que ela toma diariamente e eu tenho os meus”, contou Roberto, antes de ser completado pela esposa: “a gente toma remédios, talvez cure, mas não existe remédio para curar a dor do coração. É só o amor.”

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